terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Sobre ser uma velha rabugenta.
Espero que ninguém nunca tenha acesso a isso, ao que escrevo, ao que tento escrever. Não sou escritora, nem estou tentando ser. Sempre mantive um diário, daqueles de papel mesmo, no qual escrevia todo dia. Isso quando eu tinha 16..18 anos, escrevia todo dia, às vezes ficava ansiosa querendo chegar em casa logo para poder escrever sobre o que me acontecera antes, naquele dia, não podia perder nem um fio de pensamento que construía minhas orações. às vezes viajava na escola escrevendo textos mentalmente. Meus amigos sempre me acharam meio desligada, antes não havia maldade nesse desligada, hoje, não muito diferente dos meus 16/18 anos continuo escrevendo, mas o que era diário passou a ser semanal e pior, às vezes mensal, hoje a ansiedade de escrever se converteu pela ansiedade de viver, não há mais tempo para palavras e sim para atos. O problema aqui é que continuo desligada, e esse desligada que antes banal, hoje é indiferença, frieza, é antipatia, é "não fazer questão". Nunca gostei de ficar batendo papo sobre coisas que julgo idiotas, ahaha, igual esse povo que vem relatando mil coisas corriqueiras que acontecem com elas. E parece que tenho um ima interno para isso, meus ouvidos não são pinico e não vou fingir interesse. É difícil encontrar alguém que realmente desperte em mim a curiosidade e a atenção, digo difícil pois que é possível já tá provado. Tenho belos e fiéis amigos e me orgulho de dizer! Amigos de longa data! Incrível como que, ao passo que envelheço, me torno cada vez menos interessada em conhecer pessoas. Não faço questão mesmo, já tenho meu mundo, meus livros, meus traumas, meus cigarros, minha cerveja e meu bacon. Vou querer você pra quê? Me perdi no que estava tentando escrever... Ah! O ponto importante ao que pretendo chegar é o de cometer menos atos e redigir mais pensamentos, e já que o mundo moderno nos cobra velocidade, rapidez, pede pressa...eu quero ter calma. Eu quero escrever com lápis e papel e é assim que escrevo. Quero sentir meus dedos doendo a partir da quinta linha, sim, escrever dói. Quem disse que não nunca provou dessa benção que nos foi concedida, a tal da escrita. Escrever é fotografar pensamentos, sentimentos, momentos que se tornarão eternos. Já experimentou a alegria que dá quando achamos aquele caderno antigo de quando éramos crianças? É indescritível a sensação de ler as coisas que escrevemos há anos, relembrar os sentimentos antigos, aquele amor platônico dos tempos de escola, comparar os planos que fazíamos com os que realizamos! Os filhos que eu tiver nessa vida terão diários, tablet é para os fracos, voltemos à "tradicionalidade"
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